segunda-feira, setembro 21, 2009

Palavras absolutamente esquecíveis

Cala. Se me falta o amor por um instante, cala. E a fina camada que a garoa translúcida deixou na calçada... Cala. Escuta o farfalhar constante das árvores que formam um corredor e no meio a rua. No asfalto os carros passam. A pálpebra de leve treme e aperta os olhos. Fala. Com qual doçura a vida te brindou enquanto a noite esfriava? Que casaco escolheu no fundo do armário para se vestir de você mais um pouco? Que acaso devo esperar para qualquer encontro ao dobrar a esquina? Fala. Bobagens que podem significar nada. Nada. Apenas isso. Não mais que o vazio de palavras absolutamente esquecíveis em minutos. Enquanto fala, tento desnudar a cortina e alcançar-te do outro lado. Para entender se o que realmente fala é o que sente. E se o que sente é capaz de te fazer atravessar a rua e me parar, enquanto caminho desenfreada, na calçada ao lado. E nesse caso, para abrandar a mente, quando muito meus pensamentos se perderem alheios à fala, entre a linha da razão e da loucura vejo o óbvio. Não falta, não cala. A chuva volta. Os meandros do pequeno rio que desliza no canto do asfalto. A noite persiste, o corpo pede, os lábios falam, na mente as palavras confundem, a pálpebra de leve treme antes de apertar os olhos. Cala. Escuta o farfalhar das folhas enquanto o vento passa. Elas debocham do segredo, fazem pouco do beijo. Noite adentro, tempo afora. Preciso tomar fôlego antes de retomar o caminho, por isso paro. Amanhã ainda não é nada. Hoje escrevo, mesmo que as palavras me faltem, para buscá-lo, dar voz ao que me resta, mas se resta alguma coisa, ainda não falta.

1 Comments:

Blogger caio said...

mandou muito nesse texto Bê, muito foda

12:50  

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