sexta-feira, março 23, 2007
quarta-feira, março 14, 2007
Nos tempos de Audrey

O amor em preto e branco, o beijo romântico: o homem inclina um pouco a mulher em seus braços e a beija num rompante. A bonequinha e o luxo. Às vezes, faz falta o cavalheiro à moda antiga, daqueles que abrem a porta do carro e pagam a conta. Faz falta aquele amor, que conquista, que sofre, mas que é tão certo e único, que não existe mais nada no mundo e depois de todos percalços se concretiza triunfante num beijo, quando o moçinho corre atrás da mocinha na estação de trem. Hoje é corre e corre, o metrô, os passos, a vida, o amor. Sentimento demais virou uma coisa retro, e fora de moda. E o homem e a mulher, modernos? Não tem mais tempo para beijos que se perdem em longos deleites. Os relacionamentos contemporâneos são apimentados à base daquela rapidinha, daquela única noite, daquela falta de compromisso, porque convenhamos, o que vale é curtir a vida e pra quê trocarmos telefones, se sabemos que ninguém vai ligar no dia seguinte? Vida moderna... Bom, melhor comprar um cachorro para os momentos de carência. Enfim, paixões de uma semana, beijos vazios, dormir e acordar na mesma cama, para dali alguns dias um grande buraco negro na mente sugar a lembrança para sei lá onde. Bom mesmo era nos tempos da bonequinha, objeto sim, mas venerado e ostentado com luxo.