Sossego

Foi numa noite em que brindamos o copo de cerveja, sem mesmo saber nada direito sobre um e outro. E na mesma mesa, rindo e jogando conversa fora começamos a descobrir pequenas características em comum e no final da noite, que chegou num estalo rápido, o papo era tão bom, que fizemos um café e esperamos a manhã ainda acordados. O teu olhar que sorria e não trocava de olhos, era os meus que mirava e eu os teus. Aconteceu de repente, sem que pudéssemos prever e interromper. Como o destino que fala mais alto e cala todos os contras, que possam confundir a mente, com um beijo. E depois do primeiro beijo, que ainda acontece repleto de medos, o resto se segue numa intensidade insaciável de quem sabe que o tempo é curto. Pois pelas noites regadas a violão, pelas músicas, por combinarmos jantares, e, principalmente, por ser tão bom dormir com o braço em volta de você e acordar com você. Por tudo isso te digo que não sei mais como vai ser ter que fingir que nada aconteceu, deletar as coisas da cabeça, sempre detestei pessoas que fizessem isso. É complicado, eu sei, o mundo chega uma hora e desmancha o sonho, e os sonhos, como sonhos são sempre efêmeros. Mesmo os momentos ruins não apagam os bons, e eu achei que ia ser mais fácil não visualizar o abismo, mas é difícil não pensar em você e querer que volte logo, e querer jogar tudo para o alto e viver, simplesmente viver sem amarras. Saudade... Saudade que dói, saudade da praia domingo, do sossego contigo e depois do samba dormir vendo um filme. Eu penso menino, melhor não saber e amar cada instante que a gente viver. Consegui dar à música um último verso e com o verbo que me arrisco dizer ser sincero. Guardo a tua carta com um beijo e faço dessa a minha carta.